O uso do CPAP no tratamento da apneia do sono - Mitos e verdades


O paciente é diagnosticado pelo médico como portador de apneia do sono e terá que usar um CPAP (Continuous Positive Airway Pressure ou pressão positiva contínua na via aérea). Começa então um processo que seria muito simples e eficaz, não fossem as diversas dúvidas das pessoas que terão que utilizar o equipamento. Para elucidar as principais questões e alguns falsos conceitos, o blog APNEIA entrevistou a fisioterapeuta especialista em terapia respiratória, Renata Megre Rachid, também diretora técnica da Amazon FisioCare. Confira a seguir: BA – Por quanto tempo pacientes de apneia do sono precisam usar o CPAP? Renata Megre Rachid – Ouço muito os pacientes perguntarem, desolados, se terão que usar o CPAP para sempre. Inicialmente, fico até comovida, pois trata-se de um sentimento comum às pessoas que começam o tratamento. O medo do desconhecido talvez seja a causa desta angústia. Porém, devemos entender que este é um sentimento passageiro. Mesmo a resposta sendo “Sim, você terá que usar o CPAP para sempre”, tenho a experiência de que com o tempo, e não muito tempo, o próprio paciente não terá mais o desejo de não usar o aparelho. Com o passar dos dias, das semanas e, posteriormente, de meses, os benefícios superam esta expectativa que, inicialmente, pode parecer ruim. Um bom exemplo são os pacientes que se submetem à cirurgia bariátrica. Passam anos usando o CPAP. Depois do procedimento, muitos pacientes reduzem seus índices de apneia para o nível normal, fisiológico, que é de até 5 apneias por hora. Mesmo assim não querem deixar de usar o CPAP. BA – O uso da placa bucal faz o ronco desaparecer? RMR – O paciente deve ser avaliado sempre por um profissional. Portanto, a indicação do dispositivo sempre partirá deste profissional, seja ele médico, dentista ou fisioterapeuta. O CPAP é considerado o tratamento “Padrão Ouro” para as apneias moderadas e graves. Precisamos tomar o cuidado para não mascararmos os sintomas, ou seja, ocultar apenas os roncos e continuar a fazer as apneias. Isso levará o paciente ao agravamento dos sintomas e das doenças relacionadas. BA – A pessoa assiste a um programa sobre apneia na televisão e acha que ela pode ter esse problema. Ela pode usar o CPAP por ela mesma? RMR – Não. É natural que os primeiros sintomas sejam observados em casa, pela esposa, esposo ou familiares. Porém, esta avaliação deverá ser feita obrigatoriamente pelo médico, através de uma polissonografia, exame que irá diagnosticar a apneia do sono. Depois dopaciente diagnosticado, a adaptação do CPAP deverá ser realizada por profissional competente da área da Fisioterapia Respiratória, através de protocolos voltados para este fim. A falta deste acompanhamento culmina, na maioria dos casos, em uma não aderência terapêutica e uma posterior dificuldade na adaptação. BA – O uso do CPAP pode atrapalhar a vida sexual de quem usa o equipamento? RMR – Pelo contrário. Um dos sintomas de quem sofre com a apneia do sono é a diminuição da libido sexual. Isto ocorre, principalmente, pelo cansaço, pelo estresse gerado durante o sono com a liberação do cortisol (dito hormônio do estresse). A partir do momento em que se começa a utilizar o CPAP, a tendência deste sintoma é diminuir de forma considerável. BA – Passado o processo de adaptação do CPAP o paciente precisa voltar a ser avaliado pelo médico ou fisioterapeuta? RMR – Sim, precisa. É o chamado Gerenciamento Terapêutico. A maioria dos equipamentos de CPAP possui um cartão SD que grava todos os eventos durante o sono do paciente. Dentre estes estão: - Média de pressão que o equipamento está precisando utilizar para corrigir os eventos de apneia e hipopneias; - Possíveis fugas do sistema; - Índice de apneia-hipopneia (IAH); - Aderência do paciente, ou seja, os dias e o tempo em que o equipamento foi utilizado, dentre outros. Estes resultados são gerados em gráficos e estatísticas que são avaliados pelo fisioterapeuta para promover os ajustes necessários no equipamento. Uma informação bastante importante é a da Aderência ao Tratamento, pois, a partir dela, podemos buscar estratégias para melhorar a adesão do paciente. BA – O que é Titulação e por que ela precisa ser feita? RMR – A titulação é imprescindível ao uso do CPAP. Ela é a pressão que será prescrita no dispositivo. Esta pressão é a força com que o fluxo de ar é gerado nas vias aéreas (VA) do paciente. Ela pode variar de 4 a 20cmH20, na maioria dos dispositivos geradores de fluxo (CPAP). Esta “força” é a responsável por abrir passagem do ar. Cada indivíduo tem uma anatomia e, portanto, estruturas diferentes, com diferentes formas e peso. Quando se deita e dorme, o relaxamento faz com que estas estruturas pesem sobre a coluna aérea e a apneia acontece. Em um relaxamento mais leve, ocorre o ressonar (ronco); em um mais profundo, a apneia propriamente dita. BA – E quando o aparelho é automático? É preciso, mesmo assim, fazer o gerenciamento? RMR – Sim. Pois mesmo no equipamento automático podemos, em alguns casos, manter a pressão máxima em níveis mais baixos, gerando mais conforto e menos ressecamento das vias aéreas do paciente. Em alguns casos específicos, pacientes precisam de pressões que chegam muito próximas a 20cmH2O (pressão máxima que o CPAP atinge). Nestes casos, se o paciente continua a fazer apneias, precisamos lançar mão da chamada “Terapia de Resgate”, ou seja, é indicado o uso do BIPAP de sono, que é um gerador de dois níveis pressóricos cuja pressão máxima pode atingir 30cmH2O. BA – O uso contínuo do CPAP provoca dependência para dormir? RMR – Controversa esta questão. O uso do CPAP não deve ser analisado sob este ângulo. Chamamos de dependência geralmente algo que nos faz mal, que nos traz prejuízo. Se somente traz benefícios, qual o problema em “se acostumar” ao CPAP? Não há dependência fisiológica. SOBRE A ENTREVISTADA – Renata Megre Rachid é fisioterapeuta e especialista em terapia respiratória, com mais de 10 anos de vivência na adaptação e no gerenciamento terapêutico de pacientes portadores de apneia do sono. Renata é também autora do protocolo em andamento “Sono Reparador”, método criado, desenvolvido e utilizado pela autora para adaptação de CPAP, BIPAP e interfaces para a apneia do sono, e, ainda, diretora técnica da Amazon FisioCare..

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